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Cibersegurança automotiva: por que veículos conectados também precisam ser protegidos

Com mais software, conectividade e atualizações remotas nos veículos, a cibersegurança passa a fazer parte de todo o ciclo de desenvolvimento automotivo.

 

Cibersegurança automotiva: uma nova dimensão da engenharia

O automóvel deixou de ser apenas um conjunto de sistemas mecânicos. Hoje, veículos modernos reúnem software embarcado, sensores, unidades eletrônicas de controle, conectividade, aplicativos e atualizações remotas. Essa evolução tornou possíveis novos recursos de segurança, conforto e desempenho. Ao mesmo tempo, aumentou a quantidade de interfaces digitais que precisam ser consideradas durante o desenvolvimento. É nesse cenário que a cibersegurança automotiva ganha protagonismo.

O que é cibersegurança automotiva?

Cibersegurança automotiva é o conjunto de processos, tecnologias e práticas utilizados para identificar, avaliar e reduzir riscos relacionados aos sistemas eletrônicos e digitais de um veículo. E não se trata apenas de proteger informações pessoais. Em um veículo conectado, diferentes sistemas trocam informações entre si e com ambientes externos. Uma vulnerabilidade pode afetar aspectos como confidencialidade, integridade, disponibilidade e determinadas funções do veículo.

Por isso, segurança digital deixou de ser uma preocupação exclusiva da área de TI e passou a integrar a própria engenharia automotiva.

Quanto mais conectado, maior a atenção aos riscos

Bluetooth, Wi-Fi, aplicativos, sistemas multimídia, comunicação celular, interfaces de diagnóstico e atualizações OTA (Over-the-Air) são exemplos de tecnologias que ampliam a conectividade dos veículos. Cada nova interface traz benefícios, mas também precisa ser analisada sob a perspectiva da cibersegurança. A resposta da indústria é trabalhar a proteção desde as etapas iniciais do projeto, adotando uma abordagem conhecida como security by design: considerar riscos e requisitos de segurança durante o desenvolvimento, em vez de tratá-los somente depois que o produto está pronto.

Qual é o papel da ISO/SAE 21434?

A ISO/SAE 21434 é uma das principais referências internacionais para engenharia de cibersegurança automotiva. A norma estabelece requisitos relacionados à gestão dos riscos de cibersegurança ao longo do ciclo de vida dos sistemas elétricos e eletrônicos de veículos rodoviários. Isso significa pensar em proteção desde conceito e desenvolvimento até produção, operação, manutenção e atividades posteriores. Na prática, cibersegurança passa a ser um processo contínuo.

E onde entram UN R155 e UN R156?

A regulamentação internacional também acompanha essa transformação. A UN R155 estabelece requisitos relacionados à cibersegurança e ao Cyber Security Management System (CSMS) dos fabricantes. Já a UN R156 aborda sistemas de gerenciamento de atualizações de software e processos relacionados às atualizações veiculares. Essas referências reforçam uma mudança importante: proteger veículos conectados exige não apenas tecnologia, mas também processos, governança, validação e gestão de riscos.  A segurança continua depois que o veículo chega às ruas

Um dos principais desafios dos veículos definidos por software é que o produto continua evoluindo durante sua utilização. Atualizações podem adicionar funcionalidades, melhorar sistemas ou corrigir vulnerabilidades. Consequentemente, monitoramento, análise de riscos e processos seguros de atualização tornam-se relevantes durante todo o ciclo de vida. O desenvolvimento deixa de terminar no lançamento.

Engenharia e cibersegurança precisam evoluir juntas

Quanto maior a presença de software nos veículos, maior a necessidade de integração entre diferentes competências: engenharia de sistemas, eletrônica, software, validação, qualidade e gestão de riscos. Para empresas do setor automotivo, o desafio não é apenas criar veículos mais conectados. É desenvolver essa conectividade com confiabilidade, processos robustos e capacidade de validação.

A Global Group atua no desenvolvimento automotivo com competências que incluem engenharia veicular, testes de durabilidade e validação, engenharia especializada, qualidade e desenvolvimento de produtos.

Em uma indústria cada vez mais orientada por software, uma conclusão ganha força: o veículo do futuro não será apenas mais conectado. Precisará ser confiável em cada conexão. E transformar essa complexidade em confiança é, cada vez mais, uma missão da engenharia.